Morador da comunidade São Geraldo, no Rio Grande do Norte, o agricultor Ulisses Dantas, 28 anos, segue a tradição familiar de cultivar hortaliças. O seu trabalho era efetuado da mesma maneira pelos pais e avós há mais de 25 anos, até que ele passou a ser beneficiário do Projeto Dom Helder Camara, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em 2006.
O Projeto Dom Helder Camara encerrou 2011 beneficiando 15.574 famílias do semiárido nordestino. A iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) investiu, de janeiro a novembro do ano passado, R$ 16,4 milhões em ações para fortalecer a reforma agrária e a agricultura familiar em 77 municípios de seis estados da região Nordeste.
“Com os investimentos, foi possível desenvolver técnicas avançadas de cultivo, auxiliar na alfabetização de jovens e adultos e incentivar a sustentabilidade, contribuindo para o aumento da renda dos agricultores”, afirmou o diretor do Projeto Dom Helder na Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) do MDA, Espedito Rufino de Araújo.
Com a chegada do projeto à comunidade de São Geraldo, a família de Dantas começou a apostar em atividades diferentes. Incentivados por técnicos, passaram a adotar o método Bioágua, que reutiliza a água da lavagem de roupas, banho e louça. Depois de uma filtração natural, ela é usada na irrigação de verduras e frutas.
“Foi um grande estímulo. Aprendemos a aplicar o modelo com os técnicos do projeto, que fizeram estudo de solo e nos auxiliaram a ficar dentro dos padrões da Anvisa. Em 2009, abandonamos totalmente o uso de produtos químicos e agrotóxicos. Hoje, trabalhamos apenas com orgânicos e somos modelo na prática da Bioágua. Pessoas de diversas partes do Brasil vêm conhecer o nosso trabalho”, comemora Ulisses.
Criado há dez anos, o Projeto Dom Helder é uma parceria do governo brasileiro e da Organização das Nações Unidas (ONU), representada pelo Fundo Nacional para o Desenvolvimento Agrário (FIDA). Os investimentos somam R$ 157,2 milhões nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Pernambuco e Sergipe. O diretor explicou que, na prática, as famílias se apropriam dos processos de gestão do que produzem, reconhecendo e incorporando a relação dos aspectos ambientais à geração de renda.
Das famílias integrantes do Projeto Dom Helder, 2.177 atendem aos requisitos para participar do Plano Brasil Sem Miséria do governo federal. O programa visa tirar da pobreza extrema os brasileiros que têm renda familiar de até R$ 70 por pessoa. Dentro das ações do Plano está a de fomento, que disponibiliza para cada família R$ 2,4 mil ao longo de dois anos. A ideia é apoiar a produção e a comercialização excedente dos alimentos. “Desse total de 2.177 famílias, 430 já apresentaram projetos de fomento. A previsão é de que até o final de janeiro, 197 famílias inseridas no Projeto Dom Helder Camara obtenham a liberação da primeira parcela de recursos”, destacou Rufino.
Outra comunidade que trabalha com o Projeto Dom Helder é o assentamento Moacir Lucena, situada na Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, no qual vivem 20 famílias, em 700 hectares.
Fonte: MDA