segunda-feira, 2 de julho de 2012

Perfil de Fernando Mineiro no Novo Jornal (Parte 1)



O personagem é tão emblemático na vida de Mineiro que ele tem várias esculturas e pintura do cavaleiro. Uma das esculturas, de papel de embrulho, está na mesa de seu gabinete na Assembleia. Tem outras em casa, além de representações de Sancho Pança, o Fiel escudeiro de Quixote.

 Registrado Fernando Wanderley Vargas da Silva, Mineiro nasceu dia 6 de dezembro de 1956 na pequena Curvelo, na região central de Minas Gerais, a 127 km de Belo Horizonte. Aos 17 anos, em 1974, chegou a Natal a convite de um tio para estudar. Veio, fez vestibular e passou para Biologia na UFRN. Não lembra quem colocou o apelido de Mineiro. “Não tem Mineiro em seu nome?” é a pergunta básica que o fazem ao constatar que “Mineiro” não está na documentação do deputado´. Com “Vargas” e “Silva” no sobrenome a sina do estudante era mesmo a política, diriam os místicos.

 Um dos líderes do movimento estudantil na UFRN, Mineiro e mais um grupo de cerca de 500 alunos, principalmente residentes, invadiram em 1984 a reitoria da universidade. Protestavam contra o aumento de 500% no valor da refeição no RU (Restaurante Universitário).

A história política de Fernando Mineiro começa entre 1979/1980 quando ele entrou na UFRN e fez parte da reconstrução do DCE (Diretório Central dos Estudantes). “Foi na universidade que tive os primeiros contatos (com o movimento estudantil)”. O jovem de 19 começou, então, seu estágio para o mundo da política. Participou naquele início da década de 1980 da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT) em Natal onde está há 32 anos. Também fez parte da APRN (Assossiação dos Professores do Rio Grande do Norte), atual Sinte, uma das portas para sua entrada na política partidária. A mesma que contribuiu para a eleição de Fátima Bezerra como deputada estadual.

 Segundo Fernando Mineiro, fazer parte do PT “é sobretudo um ato cultural” e explica que é preciso mudar a cultura política para fazer parte desse partido que tem “mais acertos do que erros”. Aponta que o país hoje vivencia transformações positivas desde que o PT chegou à Presidência da República. E no Brasil, de cultura anti-partido, afirma, o PT é a maior legenda do país. “A história contemporânea do Brasil tem uma grande participação do PT”, repete.

Ler é um sacerdócio na vida de Mineiro, assim como a política. “Leio muito. É um hábito. Tenho livros em casa, no carro, na pasta (aponta para a pasta na mesa)”. E o prazer único da leitura vem junto a uma infidelidade aos gêneros: “Sou muito eclético”, define-se. No momento corre os olhos por livros com temas voltados para gestão e tece comentários sobre dois que leu recentemente. “A cidade dos reis” do jornalista potiguar Carlos de Souza e “Minas do Ouro” de Frei Beto. Duas obras que fazem da cidade o tecido de suas histórias: “Se tivesse tempo faria um contraponto entre os dois.”

Rato de lançamento de livros, para Mineiro a literatura o faz ver melhor as coisas, clareia as ideais para fazer juízo de valores. Mas essa relação não é utilitarista. Serve para fazê-lo viajar pelo mundo, lhe dá asas e raízes. “Me alimenta”. Para não dizer que não leu biografias, gêneros que não acompanha, cita apenas a de Lula e a do Chê (Guevara). E o deputado filosofa: “Ler não é só prazer, também dói”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário